Por que os casos de autismo estão aumentando?

Cerca de 1 a cada 68 crianças no mundo são autistas .Os dados são da Organização Mundial de Saúde de 2016.No Brasil não temos estatísticas oficiais . Em alguns estudos esse número pode chegar em até 1 autista a cada 45 crianças brasileiras.

Os pesquisadores associam o aumento do número de casos ao modo de diagnóstico. Hoje as crianças são enquadradas no transtorno do espectro autista , um diagnóstico mais amplo , que engloba vários distúrbios e atrasos do desenvolvimento.

O que provoca o autismo?

Não há uma causa provável , mas com certeza há algum fator genético , pois os homens são mais afetados ( 4 homens para 1 mulher).

O fator ambiental também pode estar associado ao aumento de casos de autismo. Os especialistas têm estudado fatores ambientais, como uso de pesticidas, de medicações durante a gestação, exposição ao tabaco, fumo, álcool e diferentes substâncias. A probabilidade é que causas genéticas e ambientais se combinem e façam com que o bebê tenha predisposição ao autismo.

Com as causas do autismo não sendo efetivamente conhecidas, pesquisadores afirmam existirem alguns fatores de risco, como :

Gênero: Crianças do sexo masculino são mais propensos a terem autismo. Estima-se que para cada 8 meninos autistas, 1 menina também é.

Genética: Cerca de 20% das crianças que possuem Autismo também possuem outras condições genéticas, como Síndrome de Down, Síndrome do X frágil, esclerose tuberosa, entre outras.

Pais mais velhos: A ciência diz que, quanto mais velho alguém ter um filho, mais riscos as crianças têm de desenvolver algum tipo de problema. E com o autismo não é diferente.

Parentes autistas: Caso a família já possua histórico de Autismo, as chances de alguém também possuir são maiores.

Tem relação com vacina?

Não há relação entre vacinas e maior incidência de autismo.Isso é mito e já foi comprovado. A relação entre vacina e maior incidência de autismo esteve ligada à presença de mercúrio , presente nas vacinas.

O mercúrio é um dos componentes do timerosal, o conservante mais utilizado em vacinas multidoses e associado aos casos de autismo. Ele é empregado desde 1930 em concentrações muito baixas e os estudos mostram que não há risco para a saúde, pois é expelido rapidamente do organismo. De qualquer forma, o timerosal já não faz parte da formulação de nenhuma vacina em apresentação monodose, estando presente apenas em vacinas multidoses (mais de uma dose por frasco).

O diagnóstico 

O diagnóstico pode ser feito entre 1 ano a 3 anos de idade , mas os pais têm capacidade de analisar o comportamento da criança, observando as seguintes características:

– falta de interação social , não olham nos olhos da mãe ( quando amamentados não olham para a mãe , não interagem com membros da família);

– não estendem os braços para a mãe ao vê -la;

– movimentos repetitivos: rodas , blocos de montar , chama a atenção do autista ;

– não interagem com o meio : quando chamadas ou quando alguém entra na sala , não demonstram reação , não acompanham os acontecimentos a sua volta ;

– demora ou ausência de comunicação , como o atraso de fala.

A boa notícia é que diversos estudos atestaram que, quanto mais cedo for feito o diagnóstico e mais precocemente o tratamento começar, maior chance a criança tem de conseguir se comunicar e se relacionarcom o mundo que a cerca.

Existe o que se chama janela de oportunidade para a intervenção, um momento em que agir aumenta grandemente as chances de sucesso.Quanto mais precoce o diagnóstico , melhor o desenvolvimento.

Diferenças no autismo

O transtorno do espectro autista possui um quadro variado : alguns pacientes podem ter um QI elevado e outros não , alguns casos estão ligados à epilepsia ou a síndromes genéticas .Mas todos possuem a mesma característica: falta de interação pessoal.

Embora todas as pessoas com Transtorno espectro autista partilhem essas dificuldades, o seu estado irá afetá-las com intensidades diferentes. Assim, essas diferenças podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos; ou podem ser mais sutis e tornarem-se mais visíveis ao longo do desenvolvimento.

Muitas pessoas com autismo não falam, mas compreendem a linguagem plenamente. Apenas são incapazes de comunicar em palavras seus sentimentos em relação ao que estão ouvindo.

Estas crianças têm, frequentemente, memórias excepcionais, e podem possuir a habilidade de concentrar-se fortemente sobre uma só coisa. Isso lhes permite aprofundar-se muito naquilo que desperta seu interesse. Alguns indivíduos se tornam pianistas ou cantores incríveis, graças ao fato de possuírem uma capacidade espantosa de decorar canções e notas musicais.

Esta grande variação entre os pacientes , pode ser diferenciada e classificada de acordo com a funcionalidade adquiridas . Vamos ver:

• Baixa funcionalidade: mal interagem. Em geral, vivem repetindo movimentos e apresentam retardo mental, o que exige tratamento pela vida toda.

• Média funcionalidade: são os autistas clássicos. Têm dificuldade de se comunicar, não olham nos olhos dos outros e repetem comportamentos.

• Alta funcionalidade: também chamados de aspies, têm os mesmos prejuízos, mas em grau leve. Conseguem estudar, trabalhar, formar família.

• Síndrome de savant: cerca de 10% pertencem a essa categoria, marcada por déficits psicológicos, só que detentores de uma memória extraordinária.

O autismo é uma condição permanente, a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo.Assim como qualquer ser humano, cada pessoa com autismo é única e todas podem aprender.

Tratamento 

O Autismo é um quadro para vida toda, portanto não há uma cura. O diagnóstico precoce, as terapias comportamentais, educacionais e familiares podem reduzir os sintomas, além de oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem.Com a estimulação estimulação adequada e ajuda de uma equipe multidisciplinar como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, neurologista, psicólogo e pediatra, uma criança com autismo pode conseguir atingir um desenvolvimento mais próximo do normal.

O acompanhamento da criança será multiprofissional e o objetivo será incentivar, ensinar a se vestir, a escovar os dentes e a comer sozinho, tornar a criança o mais independente possível .O excesso de proteção pode fazer com que os pais bloqueiem ainda mais a autonomia dessas crianças e prejudique o seu desenvolvimento futuro.

Fica a dica.

FONTE: https://drafernandapediatra.com/2018/08/15/1-a-cada-68-criancas-e-autista/
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