Dificuldades de comunicação podem levar crianças, adolescentes e adultos a apresentarem comportamentos inadequados, especialmente quando não conseguem expressar necessidades, desejos ou sentimentos. Em muitos casos, atitudes como bater, chutar, gritar ou jogar objetos não são sinais de agressividade por si só, e sim tentativas de comunicação.
Para evitar essas situações e melhorar a interação com o ambiente, especialistas indicam o treino de comunicação funcional. A proposta consiste em ensinar formas adequadas de comunicação, permitindo que a pessoa expresse o que precisa sem recorrer ao comportamento inadequado.
Imagine, por exemplo, uma criança que chuta um colega para pegar uma massinha que está sendo usada por outro aluno. Se ela tiver aprendido comunicação funcional — seja verbal, gestual ou por meio de comunicação alternativa — poderá sinalizar seu desejo usando frases como “me empresta?”, apontando para a massinha ou pressionando um botão em um aplicativo de comunicação.
Além de pedir objetos, a comunicação funcional permite que a pessoa identifique e comunique sentimentos e necessidades, como avisar quando está com dor, fome, cansaço, medo ou quando simplesmente não quer participar de uma atividade.
Como implementar o treino de comunicação funcional
Para que o treino seja eficaz, alguns passos são essenciais:
Identificar os comportamentos inadequados e sua função
Primeiro é preciso entender por que o comportamento está acontecendo: fuga? Frustração? Dor? Busca por atenção? Desejo por um objeto? Só assim é possível ensinar uma forma adequada de comunicação para substituir o comportamento.
Ensinar o comportamento comunicativo substituto
A nova forma de comunicação deve estar alinhada ao repertório e às habilidades da pessoa.
Exemplo: se ela se comunica por sinais, o comportamento substituto também deve usar sinais; se utiliza dispositivos de comunicação alternativa, a solicitação deve ser incluída no sistema.
Treinar famílias e profissionais
Pais, professores, terapeutas e cuidadores precisam usar a mesma forma de comunicação para que a aprendizagem se consolide e faça sentido no dia a dia.
Comportamento adequado pode demorar mais no início — e isso é normal
No começo, a comunicação adequada pode parecer mais difícil do que o comportamento inadequado. Por isso, a prática deve ser constante e reforçada. Com o tempo, a pessoa passa a entender que comunicar é mais eficiente do que agir impulsivamente.
Um exemplo comum acontece em apresentações escolares: algumas crianças não querem dançar e, durante os ensaios, podem chutar colegas ou acompanhantes terapêuticos. Ao adotar a comunicação alternativa, a criança pode apertar um botão com “não quero” no aplicativo. Dessa forma, ela participa da atividade dentro de seus limites, sem entrar em conflito com o grupo.
Ferramentas que auxiliam o treino
A comunicação funcional ou alternativa pode ser utilizada em diferentes formatos:
iPad, tablet ou celular com aplicativo de comunicação
Pranchas com fotos e palavras
Figuras com sentimentos e necessidades
Agenda visual com frases curtas
Fotos do corpo para indicar dor ou incômodo
O importante é que o sistema seja adaptado às necessidades de cada indivíduo, com informações da vida diária — como comidas preferidas, atividades, familiares, sentimentos e locais conhecidos.

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